De: Cristina Santos - "Grande galo"

Andou o Porto a premiar a sua marca, a receber prémios distintivos, e no fim sai uma pessoa ou um turista à rua e só vê galos de Barcelos por todo o lado? Lenços de Viana? Corações de Gondomar?
O Porto tem um target, um posicionamento de mercado bem definido, que tem aproveitado até ao expoente máximo de qualquer coisa. E em vez de aumentar a média do rendimento per capita, só aumentam os galos e os enchidos?
É injusto, para nós Porto que saímos nas revistas internacionais, temos prémios, temos produtores de cinema como todas as outras cidades europeias e nada disso certamente se deve aos apoios à internacionalização dos municípios, é tudo nossa exclusiva responsabilidade, e qual o nosso retorno? Galos de Barcelos!

Somos injustiçados continuamente. Obrigam-nos a ser pacóvios, é por essa obrigação que assistimos nas comemorações religiosas da maioria das freguesias desta cidade a uns duos desconhecidos a tocar música de baile, no protótipo pimba, em cima de um palanque de andaimes rodeados por roulottes de farturas, como nas aldeias. Se ainda fosse como na aldeia, um dia e chega de festa. Mas não, o Porto como capital do Norte vê-se por via destas salgalhadas obrigado a promover bailes bucólicos semanas seguidas, às expensas do município ou das Juntas, e repeti-los todos os anos.
O kizomba no centro, que agora prolifera e engoliu quase por completo a oferta diversificada noturna, a literatura, a cultura, é obviamente um resultado direto dessa obrigação. Quase arriscava que há mais oferta de kizomba do que lojas de turismo com enchidos e galos, não arrisco porque uma oferta é complementar da outra.

A injustiça serve-nos sempre de lição ou quase sempre! Podíamos criar algo que nos representasse que fosse vendível em casa esquina, algo para além de um cartaz, para nunca mais nos queixarmos da representatividade do galo. Mas é melhor desistir, é difícil transpor para um elemento o registo de um povo como o portuense, senão impossível.
Agora o Porto vai começar de novo, mudar o seu posicionamento, apostar em meios para se diferenciar das réplicas do turismo que advêm de outras cidades Europeias, numa oferta com carácter capaz de marcar a diferença a nível Europeu. E a reboque, quem sabe, não consegue o Porto promover várias conferências, divulgá-las a nível internacional. Sessões de literatura. Colóquios internacionais. Lojas de renome. Espectáculos. O Masterplan. E levar o Norte atrás de si. Claro que levando o Norte, o raio do galo ficaria na capoeira. Lá nesses locais bucólicos onde há capoeiras, Massarelos por exemplo tem imensas capoeiras, ou com jeitinho na feira dos pássaros.