De: Cristina Santos - "Da informação"

O que me desagrada na actual gestão do município é a forma de comunicação, no tocante a fundamentos das notícias, falta de explicação sobre iniciativas de (muito) longo prazo e os casos em que uma espécie de propaganda se sobrepõe à prestação de informação aos munícipes.

a) No tocante a fundamentos, temos o caso do IMI e o facto do Município não aderir ao incentivo para famílias numerosas. Informam que esta opção “não beneficiaria o aluguer e só beneficiaria ricos”. Não percebo esta justificação, quem tem dois ou mais filhos é rico ou vive em bairro social?! Num tempo em que as famílias estão a mudar residência para os concelhos vizinhos para alugarem as suas casas a turistas, o Município pretende mais incentivos ao arrendamento? Do fundamento, dados que comprovem que quem tem mais de dois filhos e casa própria é rico e isso prejudica a cidade, ou pelo menos numero de isenções e porque está o Município com "contas à moda do Porto" (seja lá o que isso for) contra?

b) E o caso em que alegadamente a sinistralidade diminuiu por via das alterações levadas a cabo pelo município na Foz e na Areosa, ficamos sem perceber o fundamento, os dados não foram anexados à notícia, infere-se que o Município extrai tal conclusão por via do aumento de velocidade dos STCP e redução de velocidade dos ligeiros?

c) No tocante a compromisso de (muito) longo prazo sem informação, temos por exemplo o caso da cedência do equipamento Municipal da Piscina de Campanhã por 25 anos ao FCP, em troca da realização de obras idênticas às que o Município tinha levado a cabo no mandato de Dr. Fernando Gomes. À partida este equipamento ficaria disponível para utilização pública. No entanto o município não sabe datas previstas para abertura, remetendo esta informação para o FCP.

d) Ou o empréstimo com prazo de 30 anos, com início na data de desembolso, com 10 anos de carência, contraído com o BEI para reabilitação dos bairros sociais no valor de € 8.951.375,00, 50% do valor total do investimento.

e) No tocante à opção pela propaganda em detrimento da informação, temos o investimento em escolas, fica-se sem saber se este investimento procede do QREN, que verba corresponde a este quadro, qual a verba a dispor pelo Município e fazia ou não parte do reordenamento da rede escolar pública delineado em 2011? O mesmo para as obras que tiveram lugar na Avenida da Boavista. Sabemos no entanto que Rui Moreira faz contas à moda do Porto?

f) Do barulho na comunicação, excesso de anúncio de festas e de momentos de animação, e uma petulante claque nas redes sociais que impede qualquer questão construtiva e chega a insultar os munícipes que se manifestam construtivamente sobre aspectos negativos. Temos tido a sorte desta claque à partida não calcorrear muito as ruas do Porto, caso contrário a aparente paz e nível que nos tem caracterizado já teria sido arruinada, ou então comportam-se nas redes sociais de forma bem mais agressiva do que nas ruas. Sorte a nossa, ainda mais agora sem polícia.

Em suma, não se discute aqui o valor ou não destas iniciativas, discute-se a falta de informação, fundamentos, números, estatísticas, o porquê da propaganda. Talvez a opção por um canal online onde se transmitisse as reuniões do município, em vez de excertos no youtube, pudesse deixar as coisas mais claras. Fica a ideia. Relativamente ao jornal de "cor de salmão", deve ser uma cor bonita, onde a oposição se vai pronunciar, ainda não chegou à caixa do correio.