De: TAF - "Irritações minhas"

Uma das coisas que mais me irrita é não ter controlo sobre o que se passa num espaço meu, ou pelo qual seja responsável. Sou assim, gosto de tomar posse do que é meu, e que essa posse seja efectiva 24 horas por dia. Ora o espaço público do Porto é também meu e dos outros portuenses, e por isso me perturbam notícias como esta. Como é que uma violenta desordem envolvendo cerca de 100 pessoas, neste local, pode passar despercebida à Polícia durante 1 hora?

Também não aceito que seja tolerável que a ordem pública, em espaço público, tenha pelos vistos de ser assegurada por privados, ainda por cima de virtude mais que duvidosa. A que propósito a Polícia se demite desse dever?

Não acredito que o problema seja apenas falta de recursos das supostas "forças da ordem" ou incompetência dos seus agentes. É certamente bem mais grave que isso. Aliás, só me lembro de ter ficado com má impressão de agentes da PSP quando há quase 20 anos eu e um amigo tivemos de servir de "seguranças" a dois deles que, apesar de armados, estavam com receio de tentar apanhar os responsáveis por uma zaragata no Largo da Maternidade com que tínhamos deparado e, ajudados por transeuntes, acabado de pôr fim. Lá fomos os quatro atrás deles... De resto, só tenho tido boas experiências.

Não conheço as causas mas verifico os sintomas. Por exemplo, é agora raríssimo encontrar um polícia na rua aqui nas redondezas de minha casa, no Centro Histórico. Dantes, ao menos durante o dia, o Terreiro da Sé tinha vigilância, havia ronda na Ribeira, sentia-se alguma presença das tais forças da ordem. Acabou. Esta situação ameaça até matar a galinha dos ovos de ouro que têm sido para o Porto o turismo, a vinda de estudantes estrangeiros, a boa fama em termos de segurança que atrai negócios e empresas. Deixem degradar-se o ambiente mais uns tempos e verão o que isso nos vai custar.

Não sei qual o papel que cabe à PSP nem o que cabe à Polícia Municipal. Sei que há responsáveis, contudo, a começar pela Ministra da Administração Interna (garantiram-me que ela existe). E sei que isto não é Porto que se apresente. Ponto.