De: Luís Gomes - "2 anos de Rui Moreira"

RM goza de um estado de graça pouco visto em política portuguesa. O seu posicionamento supra-partidário parece ser o principal factor que contribui para este efeito. Além disso, possui uma máquina de relações públicas bem oleada e não só assente nas redes sociais mas também nos media tradicionais. Parece-me, contudo, que a sua excessiva mediatização tem um efeito perverso: o de descentrar os holofotes da sua acção executiva. Penso que a frase do realizador Oliver Stone aquando da entrega de uma medalha de honra da cidade fala por si: "Já viajei por muitos sítios, mas é muito raro ir a uma cidade onde o presidente da Câmara se parece com uma estrela de cinema.”
Os portuenses não queriam um empreiteiro, mas também dispensam bem uma estrela de cinema. O executivo municipal é espelho disso mesmo. Há Rui Moreira, Pizarro e o vereador da Cultura. O resto da vereação é (quase) inexistente.

Façamos um balanço por temáticas:

Cultura: é inegável que a cidade tem mais propostas e revela um dinamismo maior. Quando RM convidou Paulo Cunha e Silva quis elevar o programa cultural para os níveis da Porto 2001, e romper com o divórcio entre Rui Rio e os agentes culturais. Está a conseguir.

Finanças: As contas à moda do Porto foram lema da campanha. Ainda é cedo para avaliar a execução de anos completos do seu mandato. Mas, recentemente, o acordo com o governo sobre contenciosos antigos veio trazer um novo dado para cima da mesa: com o valor obtido não só pode aumentar o investimento como diminuir o endividamento da CMP (que já se encontra em níveis muito confortáveis). Levanta-se aqui uma questão: vai RM aliviar os impostos municipais? Parece-me lógico que baixe a derrama do IMI e já o devia ter feito.

Ambiente: Continuamos a ter as principais zonas de lazer da cidade sub-aproveitadas ou mal estimadas: Parque da Cidade, Parque Oriental e Jardins do Palácio. Por outro lado, tem sido levado a cabo um plano para recuperar alguns dos jardins da cidade. É positivo. Mas há muito a fazer neste sentido: a zona marítima da Foz continua degradada, com piso irregular, com iluminação arrancada e sobretudo com zonas dunares de protecção fragilizadas e arvoredo destruído, mal estimado ou inexistente. Um pouco por toda a cidade é comum ver jardins com fontes sujas (Cordoaria , etc…) ou desligadas (Praça Liége, etc…), bem como árvores arrancadas. Não há um plano de arborização da cidade nas zonas mais fustigadas, o que obviamente interfere na qualidade de vida dos portuenses.

Transportes e Mobilidade: A abertura das zonas BUS a motociclistas é positiva, pese embora esteja por comprovar a diminuição da sinistralidade. O alargamento do horário do metro é, a meu ver, o grande mérito de RM e que atesta a sua capacidade de criar consensos. Perdeu a batalha da gestão autónoma do Aeroporto, o que parecia ser quase inevitável.

Economia: A sua rede de contactos e exposição mediática conferem-lhe um valor acrescentado nesta área. A diplomacia económica é fundamental para captar investimento e angariar mais visibilidade para a cidade. O seu envolvimento directo em acções de promoção do Porto ajudou a cidade a ganhar alguns prémios. A sua mobilização para trazer a base da Easyjet foi também relevante. Falta agora o mais difícil: tornar o Porto uma cidade relevante não só para eventos desportivos mas também para congressos. Além disso, ainda não vimos investimentos empresariais que se traduzissem em empregos directos para o Porto.

Aleixo: A solução parece estar encontrada, mas ainda não saiu do papel. Parece-me que a solução final encontrada não foi clara nem no conteúdo nem na forma. Fica por perceber por exemplo quem e onde se constrói/reabilita as casas para os residentes do Aleixo: afinal não fazia parte da equação trazer parte destes residentes para o centro histórico? A solução apresentada para acomodar os residentes é ou não é em tudo similar à desenhada pela equipa de Rui Rio?

Concessão do estacionamento: O concesssionamento de 4300 lugares por 12 anos já foi aprovado. Esperemos não ver no Porto a caça à multa que se verifica em Gaia. O aumento de lugares com parquímetro é bastante exagerado. Mas, mais do que isso, é importante garantir que os moradores e comerciantes não sejam demasiado penalizados com esta concessão (o que parece pouco crível).

Acordo das 35H para trabalhadores municipais: Desconhecendo as contrapartidas que os sindicatos deram em troca do alívio de 5H semanais, parece-me desadequado que haja trabalhadores do privado a trabalhar 40 e muito mais horas, funcionários públicos a trabalhar 40H e outros não. E, espante-se, RM apresentou recentemente uma proposta para contratar mais pessoal. Ficou confuso? Eu também.

Outros temas não explorados: reabilitação dos bairros sociais, Pólo Logístico de Apoio a Empresas, o Centro de Artes, Centro de Reindustrialização, Mercado do Bolhão, Interface de Campanhã e outros… Fica para breve…