De: Alexandre Burmester - "Salvar sim, mas o Bolhão"

Para se perceber a razão de existência dos pavilhões do mercado, haveria que entender antes a sua razão pela ausência de uma cobertura geral.

Não sei por que razão a cobertura do projecto original não chegou a ser feita, e daí ter-se optado pela execução dos ditos pavilhões que se por um lado apresentam um desenho bonito, por outro de nada servem a um mercado, nas dimensões, configuração e conceito. Se há dúvidas é ir vê-los e perceber a sua utilização que na sua maioria cresceram em avançados clandestinos e foram entaipados nos vãos. E a acrescentar a tudo isto os corredores entre si cobertos de plásticos. (Melhor só no Afeganistão.)
Vista do Mercado do Bolhão

Não percebo muito bem como se fala da recuperação de um mercado de frescos e a seguir insiste-se na não execução de uma cobertura geral. Aliás vejam-se os muitos exemplos de mercados que existem em Portugal e no Mundo e repare-se que invariavelmente estão cobertos. Também não percebo onde andará a ASAE ou qualquer outra entidade que não se pronuncie sobre esta questão. Se dúvidas existem sobre esta minha afirmação bastará para o efeito fazer-se uma visita ao mercado, sem os olhos apaixonados da antiguidade ou do romantismo e ver o que por lá se passa. É que para além das gaivotas defecarem literalmente sobre os ditos pavilhões, ainda há a acrescentar os gatos que por lá pontuam e urinam sobre os mesmos produtos frescos.

Eu percebo a vontade de restauro e da devolução do Bolhão à cidade, mas não percebo para que se gasta tempo e dinheiro para fazer as coisas mal feitas e arriscar-se a passado pouco tempo voltarmos a ter tudo sem ou com má utilização.

Acho muito bem que se faça um debate sobre a questão dos pavilhões, pois muito com certeza será a forma de chegarem à conclusão sobre a cobertura.
Vista do exterior do Mercado do Bolhão