De: Alexandre Burmester - "Barreiras"

A tentativa de resolução dos problemas da Circunvalação é assunto recorrente e que tem sido sempre infrutífero, mas que nem por isso deixo de louvar. Ainda mais nesta forma que inclui a participação dos 4 concelhos por onde cruza.

Não duvido que este assunto, como todos os demais que tratam de Urbanismo, esteja pejado dos sábios de trânsito e dos seus tão específicos saberes, que no final irão traduzir a Circunvalação numa via amontoada de riscos e tracejados, sinais horizontais e verticais e sem faltar da politicamente correcta pista de Bus e da ciclística. Assim correrá o seu projecto, pela tentativa de desenho de conseguir as larguras, os raios e os espaços para todos os “risquinhos” destas vias, da discussão com os vários intervenientes responsáveis pela “Via pública” sobre as inserções à direita, à esquerda, os seus cruzamentos, sinais luminosos, rampas, passadeiras e paragens de autocarro. Acabará o projecto da Circunvalação por um enorme diálogo de riscos e será uma grande vitória para gáudio de todos. Já conheço o filme.

A Circunvalação só precisa de se tornar mais amigável para com os 4 concelhos, não precisa de ter toda o mesmo tratamento, muito menos precisa de ser estrada e melhor seria se chegasse a ser por vezes interrompida. Precisa tão-somente de ser Rua. Rua para com os seus usos, construções e as próprias ruas envolventes. Precisa de ser pensada como cidade, como elemento de comunicação entre partes, sendo que se neste diálogo também existem automóveis, autocarros e bicicletas, só existem porque existem pessoas, e por isso antes de se fazer “risquinhos” leia-se e entenda-se todas as partes da Circunvalação, para que esta se torne realmente integradora das 4 cidades.

Aguardo ansiosamente, e será mais cedo do que se pensa, que este mesmo raciocínio se estenda a outra estrada, que ao invés desta que corre fronteira à cidade e se é barreira apenas o é para com os concelhos limítrofes, a outra corre no seu centro tal qual “Muro da Vergonha” e barreira intransponível. A VCI, muito mais do que a Circunvalação, necessita de se integrar na cidade.

Nota: Boas vindas à nova “Baixa do Porto”. Espero que de novo se crie uma plataforma de diálogo sobre a cidade, que seja interventiva, enriquecedora e construtiva.